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PF Prende Quadrilha Que Fraudou Concursos!
Publicado em 17/06/2010
A Polícia Federal (PF) deflagrou na última quarta-feira, dia 16, uma operação para desarticular uma quadrilha que fraudava concursos públicos em todo o país. Na Operação Tormenta, como foi batizada, foram presos 12 envolvidos no esquema, entre eles, um policial rodoviário federal. Especialistas destacaram positivamente a ação da PF e afirmaram que o desenvolvimento de investigações como essa reforça a credibilidade do concursos. Nesta quinta-feira, dia 17, a PRF informou que já foi aberto um processo administrativo contra o policial rodoviário envolvido.
De acordo com a PF, o esquema teria beneficiado 53 candidatos do concurso para agente do próprio departamento, aberto no ano passado, e pelo menos 26 candidatos do Exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que tiveram acesso aos cadernos de questões antes da aplicação das provas. Há, ainda, indícios de que 41 candidatos a auditor-fiscal da Receita Federal, do concurso de 1994, tenham sido beneficiados da mesma forma. Outros concursos também serão investigados.
O departamento informou que a quadrilha foi identificada a partir da investigação social do concurso para agente da PF. Dos 53 beneficiados, apenas seis conseguiram chegar até a segunda etapa do concurso, que corresponde ao curso de formação. De acordo com a PF, os seis foram eliminados do processo.
Ainda segundo a PF, a quadrilha tentou fraudar, sem sucesso, os concursos da Caixa Econômica Federal, da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), INSS (perito médico), Advocacia Geral da União (advogado), da Santa Casa de Santos (residência médica), Defensoria Pública da União (defensor) e da Faculdade de Medicina de Ouro Preto.
O Cespe/UnB, organizador do concurso da PF e do Exame da OAB informou que já aguardava o resultado das investigações sobre as provas da OAB, mas que não tinha conhecimento de irregularidades no concurso para agente da PF.
Com relação ao concurso da Receita Federal, a Esaf, organizadora da seleção informou que o diretor da instituição se reunirá com representantes da PF nesta quinta-feira, dia 17, para obter mais detalhes sobre a investigação. Os supostos beneficiados pelo esquema já haviam sido impedidos de participar do curso de formação na época em que a seleção estava sendo realizada, sendo que recentemente uma decisão da Justiça concedeu a eles o direito de seguir no concurso.
De acordo com a Esaf, parte desses candidatos está participando do curso de formação que está sendo realizado pela organizadora e deve ser concluído nos próximos dias. Caso fique comprovado o envolvimento com a fraude, a Esaf informou que eles serão eliminados.
O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, afirmou que o governo federal poderá rever as atuais regras para a realização de concursos no Poder Executivo. "Não podemos ter concursos vulneráveis, sujeitos a fraudes. Temos que ter lisura e transparência. Afinal, são cerca de 5 milhões de pessoas em todo o país que estudam pra concurso e têm que ter certeza do processo", disse.
Paulo Bernardo acrescentou que, caso fique constatada a admissão de pessoas no serviço público por meio de fraude, todos serão demitidos. "Quem quiser entrar no serviço público tem que entrar por mérito, não pode entrar por fraude", enfatizou.
O presidente da Associação Nacional de Proteção e Apoio aos Concursos Públicos (Anpac), Ernani Pimentel, elogiou a atuação da PF. "O fato de a PF abrir uma investigação e chegar ao ponto que chegou é muito benéfico para os concursos", afirmou. Para ele, em um primeiro momento, a descoberta da fraude pode causar um impacto negativo, mas com o tempo as pessoas irão perceber que é importante os fatos virem à tona.
Para o juiz federal William Douglas, especialista em concursos públicos, a existência de fraude é natural pelo interesse que os concursos despertam e o fato dos casos estarem sendo investigados é bastante positivo. "Fortalece a imagem do concurso público", destacou.
Vazamento - Ainda na última quarta, 16, o Cespe/UnB divulgou em seu site a informação de que o delegado que comandou a operação, Victor Hugo Rodrigues Alves confirmou que o vazamento das provas ocorreu durante a guarda dos malotes com os cadernos nas dependências da PRF, e não durante o transporte. Em resposta, a PRF informou que o Cespe/UnB deveria ter feito a conferência dos lacres, uma vez que todos os malotes são lacrados.